quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O Assobiador


Todos no condado estavam felizes quando chegou o aviso da vinda do Assobiador. Ele viria do sul partindo para o norte e ficaria na cidade por sete dias. Mas por que tanta animação, você deve estar se perguntando? 
O Assobiador era um tocador de flautas encantadas. Elas aliviavam as tensões dos ombros dos trabalhadores, amaciavam as mãos das lavadeiras e levavam sorrisos para todos os lados. A cidade ficava em festa e todas as noites o assobiador fazia um show. Sob um palco improvisado com barris e tábuas, acendia-se uma fogueira em uma praça e bandeiras eram erguidas. Havia até quem se atrevia a soltar fogos coloridos no céu. Até os rostos mais rabugentos da cidade estavam olhando pelas janelas. As ciganas levavam pandeiros e chocalhos, as crianças dançavam em um pé só. Não havia tristeza, só risadas, aplausos e o som da flauta durante uma semana. 
No fim da noite as pessoas que quisessem poderiam jogar moedas no palco. Alguns diziam que ele era filho de uma feiticeira que havia encantado as flautas, outros diziam que ele era um mago pois não havia como se sustentar apenas com as moedas que eram jogadas no palco. Mas as únicas coisas que ele tem são um cavalo, suas flautas e uma pequena carrocinha, diziam outros. Talvez ele tenha outro emprego. Mas ninguém procurava a fundo, gostavam do Assobiador e respeitavam sua privacidade. Nem mesmo seu nome sabiam. Só sabiam que quando ele vinha a cidade se enchia da mais linda magia, a alegria. 
Várias pessoas o ofereciam suas casas para estadia e comida em troca de uma música. Ele sempre agradecia, pagava sua dívida e no fim da semana seguia em frente, para a próxima cidade sortuda. Ele não tinha tempo certo para voltar, mas decerto as pessoas esperariam por sua volta. 
E então no sétimo dia ele montava sua carrocinha e adentrava a floresta com a Lua prateada lá em cima. Parecia que as próprias flautas tocavam sozinhas enquanto ele acenava...


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