Lembro daquele dia. Minha função era apenas pegar os meninos. Aquele tempo nublado me causava um desconforto. Se de repente resolvesse chover, estaria perdida. O caminho até a primeira casa, exigia um pouco mais dos meus joelhos. Se tratava de um morro cheio de pedras cobertas por lodo, um deslise se quer e ganharia um rasgão em meu corpo. Mas ainda assim consegui atravessar.
Quando bati na primeira porta, uma criatura comprimida e magra como um cabo de vassoura a
atendeu. Apesar de sua repugnante aparência, fui muito bem recebida.
A criatura desceu as velhas escadas e me trouxe uma criança. Sabia que faria aquele trajeto várias vezes, então busquei logo saber o nome dela. Por coincidência ou não, tínhamos o mesmo nome. Não demorou muito para que o trem chegasse. Já a segunda casa foi totalmente diferente. Não podíamos bater na porta, tínhamos que esperar o sinal tocar. Assim como eu, havia vários guimerleiros a espera das crianças. Os minutos em que fiquei esperando, observei os rostos das pessoas que estavam ao meu redor. Em sua maioria com aquela expressão de cansaço não vendo a hora de poderem retornar. Minha mente passou a vaguear pelo cenário. Nunca imaginei que um dia me encontraria naquele lugar, nunca imagine que seria uma guimerleira, os pensamentos eram tantos que começava a causar dor de cabeça. Um ruído de ferro arrastando em concreto indicava que os portões haviam sido abertos. Quando retornei a mim, dei um salto e peguei as crianças. Guiei-as até um vagão. Aquela foi a minha primeira vez que estive com as crianças xexelentas.

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